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sábado, 22 de maio de 2010

Relações públicas: formadoras de redes de relacionamento

Por Carol Terra

Há tempos, um dos objetivos das relações públicas é a formação de redes de relacionamento das organizações com seus mais diversos públicos. Com as novas tecnologias baseadas na web, a formação de redes de relacionamento é incrementada, potencializada.
 
As tecnologias da comunicação e da informação vieram para ficar e para as relações públicas são um trunfo a mais no mix de instrumentos utilizados para o estabelecimento de relacionamentos entre as organizações e seus públicos. A possibilidade de agregação, conectividade, tempo real e formação de comunidades de interesses são elementos que facilitam o relacionamento entre organização e públicos de interesse.

As redes se espalharam e estão em todo o lugar: Palms, Ipods e celulares conectam todos a todo tipo de informação. Na rede que se consolida, a internet é um pólo catalisador dessa convergência. É a plataforma, o ponto de comunicação, o que permite interação mútua de formas de arquivos que migram entre todas as mídias: áudio, animação, vídeo, texto e imagem.

A internet é a mídia das mídias, tem a capacidade de reunir e oferecer conteúdo originalmente criado “por” ou “para” outras mídias como jornais, revistas, rádio, tv. O modo como ela funciona permite que a informação seja veiculada conforme a necessidade do usuário. Se a internet não vai substituir outras mídias, certamente vai modificá-las.

No entanto, não basta proporcionar uma relação com os públicos se não houver uma estratégia que permita a utilização da linguagem correta, do canal mais adequado e do momento ideal, culminando em uma comunicação dirigida eficiente.

No futuro, cada usuário terá sua rede pessoal, que se estenderá à sua residência, aos seus eletrodomésticos, ao seu carro, ao seu computador e aos seus dispositivos e telefones portáteis. É um conceito que reestrutura a percepção individual de tempo e espaço, já que possibilita um enorme controle das relações humanas e materiais na vida do usuário (PÓVOA, 2000:60). É frente a essa realidade que o profissional de RP deve pensar suas estratégias de relacionamento com seus públicos sem ser invasivo ou agressivo. 

Porém, mesmo diante desse cenário de interconexões e facilidades na rede, as relações públicas há muito já se ocupam da formação de redes. Redes de contato, de relacionamento e de interesse entre a organização e os públicos estratégicos e ligados a ela. O conceito não é novo, mas o contexto em que é citado é que vem fazendo toda a diferença. 

Diversas características estão vindo à tona com a internet: tempo real, imediatismo, instantaneidade – a Tv e o rádio já permitiam isso há tempos; formação de redes – as antigas correntes de cartas já esboçavam essa propriedade; linguagem mais simples – a fala sempre foi assim, entre outras muitas.

O que diferencia a internet é o fato de que nenhuma outra mídia conseguiu essa proeza de unir características e linguagens de todos os meios de massa com a vantagem de ser dirigida.

Em um cenário de commodities (tanto em termos de produtos, como de serviços), o que dá valor a tudo isso é a comunicação organizacional planejada e programada por um profissional competente para a tarefa.

O profissional de RP deve ser o grande gestor da web apoderando-se nas funções de monitoramento e controle da internet, escolhendo as melhores ferramentas para falar com os públicos de interesse.

Fonte: RP Bahia

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Você sabe mesmo o que é Relações Públicas?

Por Denise Monteiro

Desde meus tempos de estudante de comunicação social convivo com questionamentos sobre o que é Relações Públicas. Confesso que até o início da faculdade, também fazia confusão. Muitos anos se passaram e neste período me formei, atuei em diferentes organizações como RP e, quando voltei ao ambiente acadêmico, desta vez como professora, me deparei com o mesmo questionamento. Triste constatação, pois em meio a tantas e rápidas mudanças do mundo contemporâneo, encontrei um cenário que parecia estar parado no tempo.

Pior que isso é saber que alguns estudantes são aprovados no vestibular e iniciam o curso sem saber ao certo do que se trata a profissão. Para agravar a situação, também não sabem explicar aos pais e amigos o conteúdo da carreira que pretendem seguir. Isso é grave, pois na maioria das vezes, os pais são os patrocinadores do curso superior. O popular “paitrocínio”.

Já nos confundiram com quase tudo por causa desta desinformação. Fomos apontados como recepcionista de evento, hostess de casa noturna, festeiros etc. De vez em quando, surge algum bon vivant que precisa de um emprego dentro de alguma novela. E como ninguém sabe o que é (nem o autor), ele vira um Relações Públicas... Lembro quando trabalhei na TV Globo, tanto as recepcionistas quanto as telefonistas, toda vez que se deparavam com uma situação inédita e/ou confusa, elas encaminhavam para o departamento de RP. Acredito que a associação era “algo que não sei o que é deve ser encaminhado para o departamento que não sei o que faz”. Mas isso não era exclusividade daquela empresa, acontecia (e acontece) o mesmo nos locais onde atuam meus colegas da área. Pura ignorância, pois no Brasil esta profissão é regulamentada e é necessário diploma para exercer a atividade, seja isso bom ou não. O fato é que um bom RP precisa de boa formação.

Mas afinal, o que faz um profissional de Relações Públicas?

Para confundir ainda mais, existem inúmeras definições (nacionais e internacionais) da profissão. Por isso resumo um mix das principais: Relações Públicas é a harmonização de interesses dos diferentes públicos que envolvem uma organização.

Para entender melhor, convém dizer que entendemos por públicos, grupos como colaboradores, clientes, fornecedores, imprensa, comunidade, governo, entidades, entre outros, conforme cada instituição. Todos eles possuem seus diferentes interesses e organizá-los em prol da boa imagem corporativa é o nosso papel. Para isso usamos ferramentas da área de comunicação e marketing para desenvolvermos ações dentro de um bom planejamento. As atividades dentro deste contexto são inúmeras e podem variar desde um simples jornal de comunicação interna até o gerenciamento de uma crise de imagem de grandes proporções.

E por que pouca gente sabe o que é?

Porque somos profissionais de bastidores. Não devemos focar nosso próprio destaque. O que deve aparecer é o resultado de nosso trabalho.

Quando se tem notícia de alguma boa novidade de uma empresa como um programa de sustentabilidade, de ações com a comunidade, entre várias, normalmente há um Relações Públicas atuando em alinhamento seus públicos. As ações são percebidas e valorizadas pela opinião pública, mas os profissionais que arquitetaram a boa reputação ficam ocultos, uma vez que o objetivo principal sempre é a imagem positiva da organização e não a própria.

Porém, o mais importante é o conteúdo. A qualidade destas ações não pode ser cenográfica. Mexe-se com a cultura organizacional. Trabalhamos com conceitos, valores e ética. Nosso trabalho precisa de fato atender aos interesses dos públicos envolvidos.

Podemos sim ter destaque entre os nossos, participar de prêmios das entidades do setor, etc. Mas nosso maior prêmio sempre será o nosso resultado. E se houver alguma dúvida, ressalto que na essência, não somos manipuladores de imagem. Assim como um profissional de Recursos Humanos tem foco na sua área, cuidando dos interesses da empresa e de seus colaboradores, os profissionais de Relações Públicas pensam no que o restante da empresa não pode pensar justamente porque estão focados em seus afazeres, nos quais foram treinados para isso. Desenvolvemos e destacamos em ações os valores que já fazem parte da cultura organizacional. Cada um com o seu trabalho e todos no mesmo rumo.

Fonte: Aberje

terça-feira, 20 de abril de 2010

Relações de Confiança na base das Relações Públicas

Por Rodrigo Cogo

As transformações, nos cenários econômico e empresarial, estão ocorrendo cada vez mais rápidas e com impacto significativo em toda a sociedade. A competitividade das empresas sofre uma influência considerável dessas mudanças, entre outros fatores, pela própria variedade de grupos de inter-relação e pela agilidade de circulação de informações em sociedades integradas globalmente. Neste panorama, surgem alternativas para a governança das organizações, onde a gestão pela confiança é um dos mecanismos estudados.

A complexidade e as incertezas de cenário levam as organizações a buscar formatos de gerenciamento baseados num intenso diálogo e no engajamento de seus públicos de interesse, onde a construção de redes de relacionamento parte de relações humanas mais abertas e cooperativas, a partir de um planejamento que posiciona a comunicação em patamar estratégico. É uma realidade facilitada pela emergência de tecnologias da informação por meios informatizados, em especial a internet, dado seu potencial de agrupar pessoas por afinidades e dar um lastro para expressão de múltiplas vozes.

Zanini acredita que um modelo empresarial baseado na confiança é uma tentativa de prestar resposta aos desafios enfrentados pelas empresas frente às necessidades de mudança e flexibilidade organizacional em razão da alta competitividade e do desenvolvimento tecnológico acelerado. Para o professor, “a presença da confiança reduz as incertezas no presente, com base nas informações de interações passadas, sinalizando como os parceiros reagirão no futuro”. Daí que o tema requer investigação por funcionar como importante mecanismo para a redução de riscos e para a minimização de conflitos. Um dos maiores estudiosos na área, o consultor empresarial espanhol José Maria Gasalla, reitera que podemos considerá-la (a confiança) um precioso bem da empresa, um ativo potencial intangível que integra seu capital social, e também um diferencial competitivo de primeira grandeza, na medida em que proporciona aprendizagem contínua, inovação e diminuição de custos com supervisão e controles.

É interessante assinalar, até para comprovar a necessidade de coordenação do tema por profissionais de RP, que a confiança pode interferir positivamente em qualquer tipo de contrato de negócios, por ser um indicador que acaba transferido de um relacionamento para outro, de um público para outro. Como as ações dos empreendimentos e dos empreendedores estão repletas de incertezas, por uma série de questões intervenientes nem sempre no domínio direto dos gestores – como no caso das regulações impostas pelos Governos e mesmo na alteração de conduta dos cidadãos – a confiança ajuda a pensar em ganhos e benefícios a longo prazo e a manter contratos por causa das relações estabelecidas e não só por amparos legais e formais.

Ghoshal e Tanure manifestam que há dois modos muito distintos de a empresa abordar seus relacionamentos e cada um corresponde a uma filosofia muito diferente de gestão. O primeiro tipo de relacionamento é baseado no poder, passa pelo uso do poder de compra e pela capacidade de barganha. O outro tipo passa pela criação de relacionamentos em que se compartilha o destino. E então acrescentam: “esses relacionamentos são construídos com base na confiança mútua e num comprometimento com a interdependência das duas partes, exigindo capacidade de aprender e de resolver problemas juntos”.  Daí decorre a convicção de que um novo trunfo competitivo contemporâneo é a capacidade de construir, manter e alavancar relacionamentos, onde a comunicação tem papel fundamental. Os autores sentenciam que “neste novo milênio, as empresas serão julgadas pelas habilidades de potencializar suas relações com os diversos stakeholders”. Neste sentido, avulta a importância de políticas de relações públicas nesta interface e nesta busca por engajamento, através de uma comunicação integral pautada por alguns preceitos de universalidade e troca dialógica.

Não é uma comunicação pontual e instrumental, com objetivos de curto prazo desconectados de uma visão global, mas sim uma postura holística que parte do princípio de que é preciso conhecer a empresa por inteiro, seus interesses e suas necessidades e, ao mesmo tempo, antever e identificar as mudanças e a evolução de mercado, utilizando essas informações para conscientizar a própria organização e todos os públicos ligados direta ou indiretamente a ela sobre seus papéis e suas responsabilidades.

A questão é quais estratégias e táticas de relacionamento e comunicação se deve empreender para criar e manter confiança, para mover-se da desconfiança para a confiança e para superar um eventual abuso na confiança para sua recuperação. Fukuyama apresenta extenso estudo sobre o impacto da prevalência da confiança numa sociedade, a partir do potencial de inter-relação das pessoas na construção coletiva de sentidos. Solomon e Flores acrescentam que confiança é uma dinâmica, uma prática social e não um conjunto de crenças, sendo uma questão de relacionamentos recíprocos. Reiteram que “confiança é questão de tecer e manter compromissos, e o problema da confiança não é a perda da confiança, mas sim o fracasso em se cultivar o tecer de compromissos” . Com isto, ressalta-se a relevância do processo ser permeado por intensa e dialógica comunicação para poder incrementar os laços sociais e o sentimento de grupo, contemplando múltiplos interesses das partes envolvidas nas negociações e alcançando seus objetivos específicos e gerais.

Criar e manter um ambiente favorável às relações de confiança é uma opção estratégica de quem busca vantagem competitiva sustentável. Afinal, é a construção de uma competência distinta, baseada na criação de um ativo intangível. A confiança é um componente fundamental na composição da reputação corporativa, e merece atenção especial das políticas de relações públicas. Os níveis de confiança são indicadores da eficiência da cultura organizacional em promover cooperação espontânea por meio da convergência de interesses, seara direta do profissional de RP em sua função estratégica e sistêmica de gerenciar relacionamentos e conflitos.

Relações de confiança são criadas e estimuladas por meio de normas e regras, implícitas (cultivo de hábitos e valores) e explícitas (códigos escritos), onde a geração de conteúdo de maneira participativa e sua difusão é parte inicial do trabalho de RP, chegando ao processo de reciprocidade: ao confiarem mais umas nas outras, as pessoas passam a adotar o mesmo comportamento em uma série de situações e contribuir com seus melhores esforços. A existência de relações de confiança gera alguns elementos, como percepção de integridade e consistência, disposição à comunicação aberta e transparente, compartilhamento de informações, redução de conflitos, abertura para transferência de conhecimento e crença no futuro, apesar da emergência de incertezas. Conquistar a estima, o respeito e a confiança sempre estiverem entre os preceitos básicos de RP, interligando e fazendo perceber um grupo a outro, trabalhando para a construção de um laço afetivo forte entre todos.

Ora, se reputações pessoais são criadas através de interações ao longo da vida, envolvendo investimentos consecutivos de confiança, não é diferente no universo organizacional, onde confiança muitas vezes se traduz ou concretiza pelo senso de justiça e por uma alta capacidade de adaptação a mudanças, influindo, portanto, na sustentabilidade do negócio. Em todo o sistema, é vital a aplicação da perspectiva de RP como promotor do engajamento e da percepção coletiva e colaborativa, voltado à conciliação de interesses tendo como essência o bem comum.

Fonte: Aberje